O empreendedor e o artista

À primeira vista, o empreendedor e o artista nos parecem extremamente distantes. De olhos fechados, vamos partir para o clichê e imaginar o primeiro de roupa social em um escritório, e o segundo bem mais à vontade enquanto trabalha com sua própria arte. Pensando por essa ótica, os dois acabam sendo figuras bem diferentes, praticamente opostos completos, mas basta uma análise mais detalhada para perceber que eles têm mais em comum do que se imagina, ou se pode perceber. Dominar as técnicas para ser um bom empreendedor é sim uma arte, assim como ser artista é ser ligeiramente empreendedor. Antes de tudo, o empreendedor e o artista precisam acreditar no seu próprio potencial e poder de criação, mesmo que ninguém mais acredite. Eles precisam ter a consciência de que possuem uma ideia ou uma vontade que realmente vale a pena e procurar os meios para tirar aquele projeto do papel, muitas vezes sem apoio moral e/ou financeiro. Mas eles não desistem nunca, são mentes inquietas movidas pela paixão e essencialmente por uma ideia.

O que o empreendedor pode aprender com o artista? A ensaiar. Claro que os dois “ensaiam” de maneira diferente, o artista tem seu texto, sua pintura, sua música e buscam aperfeiçoar cada um deles através da repetição. Já o empreendedor precisa aprimorar a técnica, testar, ou seja, tirar uma ideia do papel e ter a consciência de que aquela não é a melhor versão, que sempre vai haver algo a ser mudado para melhor. Ele precisa ser capaz de receber as críticas para crescer, porém e, ao mesmo tempo, julgar suas próprias produções e não “vender” sua ideia.

É sabido que na atual situação em que o país se encontra, o mercado de trabalho está cada vez mais feroz, brutal e competitivo. Temos que matar alguns leões por dia, uma vez que os mecenas do período do Renascimento Cultural (séculos XV e XVI) estão praticamente extintos, ou restritos a investir em marcas já consolidadas. Todos aqueles que trabalham com ideias e concepções individuais do seu próprio trabalho sofrem com a falta de patrocínio, a cultura já está acostumada com essa triste realidade e os pequenos empreendedores também.

Até quando muitas ideias, talvez revolucionárias, ficarão na gaveta? É hora de arregaçar as mangas e fazer arte.

Por Juliana Carrano

 

page